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A relação entre filho e mãe não tem idade

07/03/2019

Quando nascemos, nosso primeiro colo é o materno. Nos seus braços nos aconchegamos, do leite de seus seios nos nutrimos. A partir daí, criamos uma relação visceral para toda nossa vida. Nos tenros anos de vida, é ela quem nos suporta, nos educa, nos mima, nos nina, nos aquece, nos cobre, nos protege.
 

Já na adolescência, ela é a primeira a ficar de lado, servindo apenas para fazer o almoço e nos buscar nas festas (isso se o IFood e o Uber não fizerem esse papel). Então crescemos, nos tornamos adultos de verdade e começamos a entender novamente o quanto esse ser é importante para que sigamos adiante.
 
Se temos filhos, ela se torna a avó querida, que dá o suporte em meio à correria do dia a dia; ou  aquela que mima nossos pequenos, que crescem e tomam seus rumos. Daí o tempo passa e nos tornamos mais velhos e ela, um pouco mais experiente do que nós.
 
Alguns casamentos degringolam, outros terminam por morte do companheiro. Mas se ela ainda estiver viva, será no seu colo que ainda buscaremos abrigo, mesmo que nunca mais o façamos fisicamente, apenas mentalmente.
 
Esta é a história de Gonçalo. Hoje, sua mãe completa 102 anos. Habita uma casa de repouso. Não fala mais, já se cansou de tal tarefa. Também não anda. Afinal, andar para quê e para onde nesta altura da vida?
 
Não se sabe se, ao menos, ela tem consciência de algo, mas Deus a mantém viva e com uma saúde de ferro, tirando a suposta surdez e a bexiga que não segura mais sua urina. 
 
Muitos se perguntam porque ou até quando ela permanecerá neste mundo. Tenho cá para mim que até sentir que seu filho, hoje com 77 anos, não precise mais dela, emocionalmente falando.
 
Dentro de sua inconsciência, creio que retirada por Deus para que ela continue firme e com saúde, se assim podemos dizer, ela se mantém firme e forte, como a mãe que deu a luz ao pequeno Gonçalo, aquela que lhe ensinou a rezar ante às adversidades e na qual ele confia sua vida, mesmo que sem saber disso. Ela é seu porto seguro, sua fortaleza. Uma mulher que sempre teve pulso firme e nunca esmoreceu ante às dificuldades da vida.
 
Ao que parece, ele distorce a realidade sobre ela estar feliz por estar viva e “saudável” por tanto tempo, para viver a felicidade de tê-la presente. Vê-la é o suficiente para movê-lo adiante. Às vezes cremos que nossas mães serão eternas, e isso nos dá uma segurança sem igual.
 
E assim segue ela, firme, comemorando mais um ano, e se mantendo viva por ele e para ele, num pacto silencioso que talvez tenham traçado há alguns ou centenas de anos atrás. Estas são as inexplicáveis relações humanas e seus misteriosos vínculos neste mundo.
 
Quais anos mais ela terá de vida, não sabemos. A única coisa certa é que, no dia de hoje, ela arrancou mais um sorriso e muitas fotos para fazerem parte da coleção de memórias no livro da vida de Gonçalo. E, que assim seja enquanto tiver que ser.