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16/03/2018


Um dia uma moça foi a uma empresa em busca de emprego. Ela precisava trabalhar e aquela era a única oportunidade que tinha aparecido, depois de meses de uma busca incessante. Morava somente com a mãe, em uma casa sem luxo, longe da cidade.
 
No dia da entrevista estava apresentável, embora suas roupas fossem simples. A porta abriu-se e um moço jovem chamou seu nome.
 

Ela entrou e sentou na cadeira de uma sala bonita, com móveis modernos. Estava nervosa. mas respirou fundo, comprimindo suas mãos para não demonstrar que as mesmas suavam e tremiam.
 
O moço perguntou seu nome: “Maristela”. Perguntou se ela gostaria da vaga e o porquê. Ela disse que estava se formando e precisava trabalhar. Disse também que morava com sua mãe e que ambas queriam que vê-la crescer profissionalmente.
 
O rapaz questionou se chegara até ali por seus próprios méritos, ao que ela disse sim. Então, o entrevistador perguntou o que sua mãe fazia. “Ela lava roupas para fora” - respondeu.
 
“Roupas para fora?” – indagou o rapaz.
 
“Sim, lava e passa para as pessoas que não têm tempo de fazê-lo”.
 
Deixe-me ver suas mãos – disse o rapaz à Maristela.
 
Ela comprimiu-as ainda mais e, timidamente, perguntou: “Mas por que quer ver minhas mãos?”
 
Ele, com ar sereno, disse: “Faz parte da sua entrevista”.
 
Era para uma vaga no setor administrativo da empresa e ela não entendeu muito bem a razão daquela solicitação, mas estendeu-lhe suas mãos.
 
Eram mãos macias, embora estivessem suadas e trêmulas. Ele segurou-as por alguns segundos, analisando-as.
 
Maristela fixou o olhar na direção do olhar dele, que subiu seus olhos ao encontro dos dela dizendo: “Vá para casa”.
 
Ela sentiu seu coração bater acelerado....sentia que tinha perdido sua chance.
Seria por que suas mãos estavam frias? Suadas? Trêmulas? Em frações de segundos, todas estas indagações passaram por sua cabeça. A moça levantou-se e, antes de atravessar a porta, o rapaz chamou seu nome:
 
“Maristela, quero que vá para casa e veja as mãos de sua mãe e volte amanhã para conversamos”.
Ela chegou em casa meio desolada. Sua mãe, que estava lavando roupas, veio recebê-la com um abraço, perguntando como tinha sido a entrevista. A filha disse que não tinha certeza, mas que voltaria no dia seguinte. Na sequência, pediu para ver as mãos de sua mãe.
 
Elas estavam muito machucadas, em decorrência de tantas roupas lavadas. Maria, mãe de Maristela, pagou os estudos de sua filha lavando roupas, e assim mantivera sua casa por longos anos. Sempre que Maristela perguntava se a mãe queria ajuda, ela respondia: “Quero que você estude, para não precisar viver do que eu vivo, para ter melhores condições de vida”.
 
Ao ver as mãos da mãe, um pensamento veio em sua cabeça. Guardou-o para si naquele momento.
 
No dia seguinte, ao retornar à mesma sala e à mesma cadeira, foi questionada novamente: “Você chegou aqui por seus próprios méritos?”
 
Seus olhos se encheram de lágrimas e um sorriso brotou em seu rosto. Ela disse: “Não, cheguei até aqui por todo o esforço de minha mãe que, por dias e noites, lavou roupas para poder financiar meus estudos. Sem a ajuda dela, eu talvez jamais tivesse chegado até aqui”.
 
O moço fitou-a por alguns segundos e disse: “Está contratada. Para crescer e gerenciar pessoas, nunca podemos deixar de olhar os que estão ao nosso lado, que nos ajudam a crescer e auxiliam para que executemos nosso trabalho. Venha que vou lhe apresentar a equipe da qual fará parte!”.

A opinião apresentada neste artigo é de responsabilidade de seu autor e não da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software.