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OCDE apresenta análise sobre a transformação digital do Brasil na ABES SOFTWARE CONFERENCE

15/10/2019

O Painel “Brazil: Getting IT Right”, da ABES SOFTWARE CONFERENCE 2019, evento promovido no dia 14 de outubro, em São Paulo, foi aberto por Roberto Martínez-Yllescas, diretor da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para América Latina, keynote speaker internacional. O executivo analisou o posicionamento do Brasil no contexto da economia digital global a partir de indicadores estabelecidos instituição. Ele convidou os participantes a lerem o Sumário Executivo e as Recomendações apresentadas pela OCDE no documento Aperfeiçoando As Competências – Brasil, cuja versão em português foi disponibilizada aos interessados pela ABES em seu portal. A mediação do painel foi conduzida por Fabio Rua, Diretor de Relações Governamentais da IBM América Latina e Diretor da ABES.  

Dentro do universo das tecnologias disruptivas, Roberto destacou que a “inteligência artificial abre novas oportunidades radicais, além de novos riscos. A OCDE tem feito um trabalho muito detalhado sobre como as políticas públicas podem potencializar as oportunidades da Inteligência Artificial, mitigar os riscos e como os países emergentes têm uma grande oportunidade, dar um salto qualitativo e melhorar a competitividade a partir dela. No contexto latino-americano, o Brasil tem uma capacidade significativa na área de pesquisa em inteligência artificial”, apontou.



Roberto explicou que a OCDE analisa 7 dimensões para medir a transformação digital do Brasil e dos demais países, entre elas: acesso, inovação, emprego e competências, governança e abertura de mercado. São áreas que representam aspectos-chave para o desenvolvimento da competitividade digital do Brasil a partir das políticas públicas.

Os dados mostram que existe ainda uma distância significativa no indicador de penetração de banda larga no Brasil em comparação com outros países da OCDE, apesar da acelerada expansão da banda larga móvel. O Brasil não possui dados sobre o mercado de M2M (conexão ioT), uma lacuna que prejudica a avaliação do país pelo organismo internacional.

O Brasil também não dispõe de informações oficiais sobre a educação e a capacidade dos adultos de resolverem problemas em torno do uso intensivo das novas tecnologias, assunto tratado no documento Aperfeiçoando as Competências. Roberto frisou a importância das estratégias nacionais para desenvolvimento destas competências e habilidades. Este conhecimento e capacitação permitiriam às pessoas aspirarem empregos de melhor qualidade. Um ponto central é a necessidade de o Brasil desenvolver a capacidade dos adultos de serem treinados, de ter políticas que permitam que eles voltem aos estudos, ou seja, melhorar o capital humano para atender os desafios da economia digital.

Os avanços no Governo Digital

O painel contou com a presença do secretário-adjunto de Governo Digital do Ministério da Economia, Ciro Pitangueira Avelino, que falou sobre a estratégia brasileira e a respeito da parceria com OCDE no desenvolvimento de vários estudos. Ele destacou a importância dos avanços na atuação do Executivo Federal, mas que este movimento deve abarcar os governos nas esferas estadual e municipal. “A sociedade brasileira já é uma sociedade digital, mas o que a gente percebe é que ainda há muito para avançar. Somos uma nação de quase 130 milhões de pessoas que usam regularmente a internet no seu dia a dia. Temos trabalhado para vencer as barreiras, principalmente as de conectividade, pois nosso país é muito grande”, informou.



Ciro explicou que é fundamental entender que o governo digital permite  melhorar a atuação do governo como um grande prestador de serviço, ou seja, a fim de aprimorar a entrega de valor à sociedade. “No governo digital, temos avançado no Brasil e isso traz um ganho tremendo. Conseguimos evoluir na oferta de um login único para os usuários que acessam os serviços no portal Gov.br. Consideramos que os três principais elementos da transformação digital são pessoas, pessoas e pessoas, pois é por meio delas que podemos mudar as cultura na administração das políticas públicas e melhorar a capacidade técnica de quem faz a entrega, que são servidores. É a tecnologia que vai ajudar as pessoas e são as pessoas que vão mudar o mundo”, disse.

Inovações tecnológicas no Poder Judiciário

Dr. Alexandre Freire, Assessor Processual da Presidência do Supremo Tribunal Federal, exercida pelo Ministro Dias Toffoli, completou o painel e relatou sobre as mudanças em andamento no Poder Judiciário e sobre as inovações tecnológicas nos sistemas da Justiça. Ele lembrou que um ponto negativo sobre o sistema judiciário brasileiro, apontado pela população, é o tempo do processo, que gera impactos negativos na economia, gera impactos negativos na sociedade como um todo. “Então, as formas pelas quais temos procurado diminuir esse tempo do processo incluem as iniciativas para desburocratizar essa prestação de serviço e estabelecer um diálogo profundo com as novas tecnologias”, ressaltou.



Outro ponto destacado no aprimoramento no Poder Judiciário foi a criação do plenário virtual, que permite aos juízes do Supremo Tribunal Federal examinarem o mérito das matérias no ambiente on-line, atividade que antes demandaria horas ou dias de deliberações presenciais dos magistrados. Essa ferramenta permite indicar se o tema já foi tratado anteriormente e tem contribuído para reduzir significativamente o tempo de exame dos assuntos com impactos sociais, tem contribuído para agregar maior previsibilidade e gerar mais eficiência. Esta inovação, de acordo com Alexandre, tem repercutido positivamente nos tribunais de primeira e segunda instâncias e também nos processos em trânsito no Superior Tribunal de Justiça. Alexandre informou que o uso da inteligência artificial pela justiça brasileira será intensificado nos próximos anos.